A Comissão de Constituição e Justiça do Senado impediu ontem, por 10 a 9, que o promotor de Justiça de São Paulo, José Carlos Blat, fosse convidado a esclarecer processo em que investiga desvio de cerca de R$ 100 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para campanhas eleitorais do PT.
Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento, trata-se de um escândalo que lesou centenas de famílias, sendo a convocação do promotor uma oportunidade para esclarecimento do assunto, inclusive por senadores do próprio PT.
- Não podemos ficar calados, omissos, coniventes e cúmplices de um escândalo desta natureza. Certamente essas pessoas que foram lesadas estão aguardando um posicionamento. Não queremos fazer nenhum prejulgamento, mas queremos dar oportunidade para o promotor relatar os procedimentos que adotou na investigação - justificou Alvaro, ao lembrar que está havendo uma tentativa de desqualificar o trabalho de Blat.
A mesma opinião externou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para quem o assunto é de interesse do Senado, pois tem cunho político, já que os recursos teriam sido desviados para a campanha eleitoral do PT. Mas esse não foi o entendimento da maioria.
Ideli Salvatti (PT-SC) argumentou, por exemplo, que o assunto não está relacionado a nenhuma matéria em tramitação na CCJ ou em outra comissão do Senado. “É assunto que não envolve dinheiro público e sequer foi ainda oficialmente feita a denúncia. Por que realizar a oitiva com um promotor que sequer apresentou oficialmente a denúncia?”, questionou, com o apoio do líder do governo, Romero Jucá (PMDBRR).
Romeu Tuma (PTB-SP) afirmou que o promotor José Carlos Blat é um homem sério e que tem feito um bom trabalho junto ao Ministério Público de São Paulo.
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