Senadores da oposição conseguiram aprovar ontem a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para falar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre o Plano Nacional de Direitos
Humanos (PNDH-3). Mais especificamente, como se sabe, sobre a revisão da Lei de Anistia.
A data da audiência ainda não foi marcada.
A reunião do colegiado estava esvaziada quando a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) apresentou o pedido de convocação da ministra. No momento da votação, apenas três senadores da base aliada estavam presentes. O presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (GO), do DEM, anunciou, então, que apenas um senador de cada bloco partidário estaria autorizado a discutir o tema.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez um longo discurso, destacando que a Casa Civil não participou da elaboração do PNDH-3. Enquanto isto, os senadores governistas foram chamados pelo telefone para comparecer à reunião, mas, antes que todos os parlamentares acionados chegassem, o pedido de convocação da ministra foi aprovado. O placar foi de nove votos a sete.
O líder do PT, senador Aloizio Mercadante, criticou a decisão de Demóstenes Torres de limitar a discussão da proposta e anunciou que recorrerá ao plenário contra a convocação da ministra.
Pela manhã, parlamentares da oposição tentaram convocar a ministra também na Comissão de Ciência e Tecnologia, onde o presidente é do PSDB, Flexa Ribeiro (PA). A base aliada reagiu, porém, e conseguiu trocar o nome de Dilma Rousseff pelo do secretário-geral de Comunicação, Franklin Martins.
Divulgado em dezembro de 2009, o Plano Nacional de Direitos Humanos foi duramente criticado por diversos setores da sociedade, abrindo uma crise institucional dentro do governo.
A principal polêmica sobre o Plano se deu em relação à criação de uma Comissão da Verdade para apurar casos de tortura e de desaparecimento de presos políticos atribuídos a agentes da repressão durante a ditadura. Militares temiam que a atuação da comissão tivesse caráter “revanchista”. |