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Subdesenvolvimento 19.05.2017

André Gustavo Stumpf*

 
Há várias maneiras de enxergar mais essa crise política brasileira. A primeira, que salta aos olhos, é que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é um tremendo operador de mercado. Ganha na alta e fatura na baixa.  Estava fazendo bons lucros no exercício de seu mandato por operar a venda de legislação, além de cobrar por solucionar problemas em negócios do governo. Depois de preso, ameaçou levar muita gente junto com ele. Fez até discretos acenos ao Presidente da República por intermédio de perguntas específicas a ele dirigidas nos questionários feitos pelo juiz federal, Sergio Moro.
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Está quieto nos últimos meses. Não fala nada, nem apelou para a delação premiada. A explicação veio agora. Ele estava recebendo generosa mesada de Joesley Batista, do grupo JBS, que é o maior processador de proteína animal do mundo. Temer, supostamente, sabia da situação e com ela concordou. Ou seja, o presidente da República seria vítima da ação de um chantagista. Eduardo Cunha é, portanto, um vencedor qualquer que seja o desfecho dessa história fantástica de política na América do Sul.
 
Há outra maneira de enxergar o contencioso. O Brasil da Nova República, para situar um período histórico recente, é uma época de crises. Dois impeachments, a morte de um presidente, inflação brutal, planos econômicos fracassados, expectativas frustradas. O regime político faliu. Mais que isso, perdeu sua eficiência. Não consegue mais fazer o país caminhar, nem sequer encontrar seu rumo. A atual legislatura é composta, na sua maioria, por refinados ladrões. Todos ou quase todos foram eleitos pelo caixa dois e guardaram algum troco no bolso.
 
O Brasil é um país rico. Eleição indireta no Congresso vai elevar a níveis absurdos o valor de um voto. E qualquer um poderá ser eleito. É preciso entender isso. Tecnologia e know how brasileiros foram exportados com enorme sucesso para o mundo. O grupo JBS produz em vários países. Só nos Estados Unidos, mantém 56 processadores de carne. A empresa é filha direta dos investimentos do BNDES, que enterrou ali quase dez bilhões de reais. O ex-presidente do Banco, Luciano Coutinho, foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federa para fazer seu depoimento. Ele estava no exterior e retornou nesta semana para abrir a boca.
 
A Odebrecht mantinha, ou ainda mantém, obras em quase todos os países da América do Sul e Central. Também, nos Estados Unidos e em Portugal. São técnicos brasileiros, engenharia brasileira e investimento do BNDES, brasileiro. Pena que tudo isso foi construído sobre pilares de corrupção. Mas a técnica e o domínio do mercado são triunfos nacionais. Esse dinheiro, dos sucessos brasileiros, elege qualquer um Presidente da República no colégio eleitoral do Congresso. Escolha indireta é a entronização da crise. E o fim da eleição de 2018.
 
Os brasileiros têm sido ingênuos até a raiz dos cabelos. Os cariocas, por exemplo, elegeram Sergio Cabral para governar o estado. Ele, nos seus dois mandatos, fez criteriosamente uma viagem por mês ao exterior. Colocou a mão grande no que estava por perto. Sua mulher também. É preciso desconfiar. Por exemplo, os jornais informam que a JBS ganhou muito dinheiro apostando no dólar. Compraram na baixa e venderam na alta. Há quem ganhe muito nestas crises. 
 
As inconsequências de Dilma Rousseff foram além do imaginado. Ninguém previu, antes, que a irresponsabilidade teria números tão grandes. Um déficit absurdo. Os brasileiros estão convocados a pagar o prejuízo. O estado do Rio de Janeiro vai levar pelo menos uns cinco anos para retornar a normalidade. O Brasil vai pelo mesmo caminho. Temer disse que não vai renunciar. Mas ninguém pode prever se ele terá condições para efetivamente governar.
 
Os sucessivos governos brasileiros, de direita ou de esquerda, prometem muito e entregam pouco. O tempo está passando com muita rapidez. A população está sofrida. Não há como justificar péssimos serviços públicos, impostos altíssimos e insegurança institucional permanente. O tempo passa e o país se recusa a crescer. É sentença de Nelson Rodrigues: “subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”. O brasileiro quer ser subdesenvolvido. É a opção dos governantes e, talvez, dos governados.  
 
*André Gustavo Stumpf é jornalista


ABC POLITIKO - LINHA DIRETA COM O PODER
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