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Pai e filho 17.07.2017
André Gustavo Stumpf
 
A novela política brasileira chega próximo de um final decepcionante: todos os políticos envolvidos perderam. Só os empresários de Anápolis, Goiás, ganharam muito: Joesley Batista e irmãos. Eles conseguiram o perdão eterno de suas dívidas com a Justiça brasileira, tocaram fogo no governo federal, garantiram seus empreendimentos no exterior, se mudaram para os Estados Unidos, lucraram na crise provocada por eles mesmos e, por último, venderam a Alpargatas para um grupo de empresas nacionais com lucro líquido de R$ 800 milhões. 
 
Anápolis está com a bola toda. Já os políticos brigaram tanto por seus interesses que perderam a noção de futuro. O ex-presidente Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a detenção por nove anos e seis meses em regime fechado. Acusado de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Toda a cúpula do PT, digamos os históricos, está presa ou sentenciada de alguma forma. Não sobrou nenhum deles. Todos os tesoureiros do partido sofreram com a mão pesada da Justiça. E para piorar, Lula poderá se transformar em ficha suja. Ou seja, inelegível. Os dinheiros e os projetos ideológicos naufragaram. Terra arrasada.
 
O PMDB de Michel Temer passa por situação semelhante. Todos os auxiliares do presidente que tinham gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto deixaram suas funções. Razões diversas. Vários ministros foram obrigados pelas circunstâncias a abandonar seus cargos. Muita gente presa. Muita delação a caminho. E a denúncia do procurador geral da República que acusa, com dedo em riste, o chefe do governo de corrupção. Janot vai para casa em setembro. Seu momento de superstar se esgotou. Vai mudar de vida.
 
Não restou nada de edificante deste período. A oposição sabe que não tem os votos necessários para vencer no plenário da Câmara. Não tem pressa. O jogo é protelar a decisão final sobre a denúncia de Janot para provocar mais e mais movimentos defensivos do presidente da República. É o desgaste de Temer. A votação definitiva deverá ocorrer em agosto – sempre agosto – quando afinal se saberá se Temer fica ou sai. Quantas vezes, ele já caiu no discurso fácil dos oposicionistas ou do noticiário comprometido? A apatia verificada nos brasileiros de norte a sul, leste a oeste, responde a estas perguntas. O brasileiro se cansou e passou a desconfiar do que vê e ouve. Deixou de haver relação de causa e efeito no território da política brasileira.
 
É um momento rico e triste. O país não merece a liderança que tem.  Apesar de colocado contra a parede o governo Temer em pouco mais de um ano colecionou vitórias importantes. Fez reformas profundas. Acaba de aprovar a trabalhista. Falta a previdenciária. Se conseguir emplacar as novas idades para aposentadoria terá realizado muito. A inflação caiu, a indústria começa a se movimentar, o balanço comercial está superavitário, as safras agrícolas são excelentes e o desemprego parou de avançar. É um resultado muito bom para o pouco tempo de governo. 
 
Todos os protagonistas perderam. Não há vitoriosos neste longo e penoso processo de autofagia vivido pelos políticos. Jogaram os brasileiros uns contra os outros. Puseram dinheiro no bolso do Joesley. E nenhum grupo conseguiu a sonhada hegemonia. Tudo começou com o aumento dos preços das passagens de ônibus em 2013. Depois Dilma foi vaiada na Copa das Confederações. As multidões foram para as ruas e os petistas não souberam o que fazer. Não apareceu o líder para conduzir a massa. Agora, a economia anda sozinha, descolada da política. 
 
A política não percebe os números. O parlamentar olha apenas para a próxima eleição. Não imagina a próxima geração. Tão confuso é o cenário que Cesar Maia, vereador, ex-prefeito do Rio de Janeiro, escreveu, nesta semana, em seu blog o seguinte:  “Não é comum querer derrubar um presidente da República sem explicitar claramente a ação delituosa que teria sido cometida pelo governante. As pessoas que assim agem estão cegas de ódio e de paixão ideológica. Não veem que se derrubarem o atual presidente, apenas transferirão a crise para o próximo que ocupar o Palácio do Planalto. E tanto pior para o país se essa pessoa for também objeto de um ou dois, talvez mais, processos da Lava Jato e operações afins”. Acontece que o autor destas linhas é o pai de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e eventual substituto de Michel Temer na presidência da República. Os temores dele revelam a preocupação de um pai que cuida do filho.
 
André Gustavo Stumpf, jornalista.


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