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Porto Alegre - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse que a campanha de seu adversário José Serra (PSDB) está "desesperada porque a cada dia que passa perde o apoio do povo brasileiro" e afirmou que o concorrente quer ganhar a disputa eleitoral no tapetão, durante breve pronunciamento à imprensa no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, depois de gravar um programa eleitoral e antes de embarcar para uma viagem a Foz do Iguaçu, nesta quinta-feira.
"As acusações que eles fazem são falsas, levianas e não têm sustentação jurídica", ressaltou, referindo-se à atribuição da violação de sigilos fiscais ao PT, pelos tucanos. "Ao tentar responsabilizar minha campanha por fatos ocorridos em setembro de 2009, quando não havia nem campanha e nem pré-campanha, nem candidatura, nem pré-candidatura, o que eles querem é virar a mesa da democracia", disparou, para avisar que o PT moverá ações judiciais contra Serra por uso de fato inverídico com finalidade eleitoral e crime contra a honra, e enviará representação à Procuradoria Geral da República contra o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por calúnia, injúria e difamação. "Num processo democrático pode-se até perder uma eleição, mas não se pode perder a dignidade e começar a assacar contra pessoas e instituições", prosseguiu Dilma, para afirmar que "nem o povo brasileiro e nem a história do Brasil perdoam quem age dessa maneira".
Na entrevista coletiva que se seguiu à declaração, a candidata do PT garantiu que, mais do que ninguém, quer a apuração rigorosa e rápida do caso da violação dos sigilos fiscais. "É do meu interesse que se acabe com esses factóides sistemáticos que são levantados contra mim", prosseguiu, dizendo ter certeza que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigirá a apuração dos vazamentos de dados até as últimas consequências, doa a quem doer. "Quem quer que elas (as apurações) fiquem nebulosas é a candidatura adversária, não a minha; a minha quer clareza, quer transparência", reiterou.
Em outra abordagem da violação de sigilos fiscais da Receita Federal ocorrida em setembro do ano passado, Dilma insinuou que o vazamento poderia estar ligado aos adversários. "Que eu saiba, naquele momento havia outro tipo de disputa que não tem a ver com a minha campanha", recordou, numa possível referência ao debate sobre quem seria o candidato, José Serra ou Aécio Neves, que o PSDB escolheria para disputar a presidência. Provocada pelos jornalistas a dizer se estava atribuindo a violação aos próprios concorrentes, Dilma desconversou. "Não estou atribuindo a ninguém porque não costumo fazer acusações sem provas", ressalvou.
Em outro trecho da entrevista, Dilma comentou o pedido de cassação da sua candidatura feito pela coligação de Serra ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmando que confia na Justiça do País. "Eu quero crer que isso compõe o que chamei de virar a mesa da democracia", destacou. "A gente não pode comprometer a estabilidade democrática do País porque está perdendo a eleição, nem tampouco subestimar a compreensão do povo brasileiro".
No mesmo tom, Dilma disse que "utilizar fatos para destruir uma instituição é muito perigoso" e defendeu que as pessoas responsáveis por irregularidades sejam punidas enquanto os órgãos de Estado, como o Banco Central, a Receita Federal e a Polícia Federal devem ser respeitados porque garantem a credibilidade do País. Questionada se agiria da mesma forma se a quebra dos dados fiscais de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, ocorresse com sua filha Paula, Dilma reiterou que "todos os cidadãos têm que ser respeitados e não podem ter seu sigilo violado". A candidata garantiu que defende a investigação com o mesmo rigor para todos. "Não é porque é filha de a,b ou c. É porque isso significa preservação da cidadania no Brasil".
Fonte: Agência Estado
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