Brasília, 09 de Setembro de 2010
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ELEIÇÕES 2010
FHC ataca Dilma: "Ela não é líder. É reflexo de um líder" 08.02.2010

Brasília - Um dia após ter provocado reação dos petistas com artigo em que criticava a estratégia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adota para as eleições deste ano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou ao ataque nesta segunda-feira (8), colocando em xeque a capacidade de liderança da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão presidencial. "Ela não é líder. É reflexo de um líder", disse, antes de participar da inauguração da Biblioteca de São Paulo, espaço estadual inaugurado na tarde de ontem pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no Parque da Juventude, Zona Norte da Cidade. Indagado se considerava Lula um líder, FHC riu e respondeu: "Claro que sim, eu não sou bobo".

Na entrevista que concedeu antes do início da cerimônia de inauguração, Fernando Henrique fez também questão de comparar o currículo de Serra, pré-candidato tucano à sucessão presidencial deste ano, com o de Dilma Rousseff. "A Dilma ainda não teve possibilidade de mostrar liderança. Serra inspira confiança e tem liderança, já demonstrada no Ministério da Saúde, na Prefeitura de São Paulo e no governo do Estado. Mas eu não estou aqui condenando. Simplesmente estou dizendo que, para mim, Serra é competente, é um líder e inspira confiança. A outra, para mim, ainda não", ressaltou.

Apesar da clara defesa de Serra, o ex-presidente afirmou que o governador paulista deve manter a discrição sobre sua provável candidatura ao Palácio do Planalto. Questionado se Serra deveria mudar de atitude e falar sobre o pleito deste ano, FHC respondeu: "O PSDB tem de se posicionar. Tem candidato. (Mas) O governador tem de esperar um pouco mais". O tucano esquivou-se, também, de definir uma data para o anúncio da eventual candidatura Serra.

O ex-presidente tucano foi evasivo também ao falar sobre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). O mineiro postulava a vaga de candidato do PSDB nessas eleições presidenciais, mas desistiu da empreitada em dezembro. "Aécio está se dedicando a Minas Gerais. Seria deselegante dizer o que ele tem de fazer."

Fernando Henrique voltou a reiterar pontos do artigo publicado no último domingo, e disse que o governo Lula não promoveu mudanças com relação à sua administração. "Todos achavam que Lula mudaria tudo. Não mudou, seguiu adiante no que eu tinha feito. Eu achei bom", ironizou. E continuou: "Eleição é futuro. Se (o PT) quiser, a gente compara, desde que seja dentro de um contexto, não há o que temer", completou.

Debate

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, negou que as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenham sido objeto de discussão na reunião de coordenação política do governo, realizada na manhã de hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Mas as declarações do ex-presidente, que depois de dizer que não se ganha eleição olhando para o retrovisor e desconstruindo as iniciativas de seus antecessores, agora chamou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pré-candidata à sucessão ao Planalto, de ventríloquo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão incomodando o governo, que tem evitado deixar os ataques sem resposta.

Questionado sobre as últimas declarações de FHC, que duvidou das chances de êxito da transfusão de votos de Lula para Dilma porque o eleitor "desconfia de bonecos", o ministro Alexandre Padilha respondeu: "a ministra Dilma a cada dia supera desafios. Ela já superou o desafio de ser secretária de Fazenda do Rio Grande do Sul no começo dos anos 80, superou o desafio de ser secretária de Minas e Energia também no Estado do Rio Grande do Sul, superou o desafio de ser a primeira ministra mulher de Minas e Energia do País, superou o desafio de ser a primeira ministra-chefe da Casa Civil no País. A cada dia ela vai superando desafios e todo o histórico de participação dela nesse governo como ministra de Minas e Energia e também como ministra-chefe da Casa Civil, o papel que teve na coordenação, reforça ainda mais o papel protagonista e ativo dela em relação ao nosso governo e ao que pode ser no futuro do País".

Padilha voltou a falar sobre os ataques à ministra Dilma, acrescentando que "o estímulo para comparação entre os dois governos já foi feito na outra eleição e nós certamente vamos fazer". Segundo Padilha, "o exercício da defesa do nosso governo também é comparar com os governos anteriores e enquanto a oposição não falar o que quer fazer para o Brasil daqui para a frente nós só temos que comparar com o que eles fizeram". O ministro ironizou que "a única coisa que foi dito é que querem acabar com o PAC, querem mudar meta de inflação, querem mexer na taxa de câmbio, querem rever juros", referindo-se, indiretamente, às declarações do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que atacou o Programa de aceleração econômica e criticou linhas da economia do atual governo. "Vamos debater. A partir do momento que a oposição aparecer e mostrar o projeto que quer apresentar para o Brasil vamos comparar também com o futuro", avisou Padilha.

Comparações

A comparação entre os governos FHC e petista também foi defendida ontem pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Ele disse que o PT só tem a ganhar na comparação entre as gestões do governo Lula e do governo anterior. "Eu acho que é positivo para a democracia no Brasil. Permite que a população compare os dois projetos. Um projeto representado pelo Fernando Henrique, que vem publicamente se vincular ao Serra, e também ajuda a campanha da Dilma quando ela começar, porque ela representa os governos do presente Lula. E essa é uma comparação que interessa para nós", disse Tarso, que deixa a pasta esta semana para articular sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul.

Ao participar do Encontro Nacional da Juventude do PT, no domingo, Dilma disse não ver problemas nas comparações e ressaltou que o governo Lula é muito bem-sucedido. "A comparação, quando se trata de a gente escolher caminhos, é sempre boa. Porque você vai discutir: "Eu vou seguir aquele caminho ou vou seguir aquele outro caminho". Para saber qual dos caminhos seguir, eu olho e comparo", disse a ministra. Agência Estado



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