| Gervásio Baptista/STF |
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| Ministros não se sensibilizaram |
Da Redação
Brasília - Derrotado no pedido de habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal, o governador afastado José Roberto Arruda tenta outra cartada para deixar a Superintendência da Polícia Federal, onde está preso há mais de 20 dias. Na semana que vem, seus advogados de defesa tentarão negociar com o relator do processo no Superior Tribunal de Justiça, ministro Fernando Gonçalves, a concessão de prisão domiciliar do governador. Para reforçar os argumentos desse pedido, Arruda pretende renunciar ao cargo.
Mas Arruda só pretende fazer esse gesto se tiver a garantia do ministro-relator de que irá conceder o pedido de prisão domiciliar. Ele não quer correr o risco de renunciar e perder o foro privilegiado, tendo que ser transferido para o presídio da Papuda, onde estão seus ex-auxiliares e aliados também acusados de tentativa de suborno do radialista Edson Sombra.
O placar elástico no Supremo Tribunal Federal, de nove votos a um, pela não concessão da liberdade de Arruda, mesmo tendo o advogado Nélio Machado ter levado aos ministros a disposição de Arruda de permanecer afastado do governo enquanto durarem as investigações, chamou a atenção. Mostrou a disposição do Judiciário de não deixar o governador solto para não influenciar provas e testemunhas. Por isso, a concessão da prisão domiciliar só deverá acontecer no contexto de Arruda renunciar ao cargo antes de fazer a solicitação ao STJ. Mas teme o risco de ser transferido para a Papuda, caso o relator não aceite o seu pedido.
Irritação com placar na Câmara
As informações de bastidores dão conta de que o governador afastado se irritou na quinta-feira quando soube da aprovação, pela Câmara Legislativa, do processo de impeachment contra ele, pelo placar de 19 votos a zero. Teria chegado a quebrar alguns objetos da sala onde está detido na Polícia Federal. As informações não foram confirmadas pela comunicação da PF, que tem evitado repassar à imprensa qualquer dado a respeito da situação do governador afastado.
Na Câmara, o processo de impeachment de Arruda segue com celeridade. A próxima etapa é a apresentação da defesa do governador, que tem 20 dias para enviar aos distritais. Na sequência, deverá ser apresentado um novo relatório, mais detalhado e fundamentado juridicamente, pelo deputado Chico Leite (PT), para que a comissão especial dê prosseguimento ao caso. A expectativa é de que esteja tudo concluído até abril.
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