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BRASIL EM CRISE
Ex-governador acusa ministro de esquema de corrupção 12.08.2017
Divulgação
Silval e Maggi eram do mesmo grupo

Brasília - Em depoimento de delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou o também ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), de participar de um esquema de corrupção no Estado. A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (9).

O ex-governador revelou à Procuradoria Geral da República como funcionava um esquema de corrupção no Estado. Barbosa foi vice-governador à época em que Maggi governava o Estado, entre 2003 e 2010. Depois, em 2011, foi eleito para suceder o atual ministro da Agricultura.

Entre as acusações contra Blairo Maggi, o peemedebista afirmou que o ministro fez pagamento ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes, para que ele mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo.

Em nota, o ministro Blairo Maggi afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita dentro do governo ou para obstruir a justiça. Afirmou, ainda, que não fez e nem autorizou pagamentos a Eder Moraes.

Blairo disse também que jamais autorizou meios ilícitos na sua vida pública ou em suas empresas. Ele lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila sobre suas ações.

Vagas

Aos procuradores, Silval Barbosa disse que primeiro, Morais denunciou ao Ministério Público que os dois ex-governadores sabiam de compra de vagas no Tribunal de Contas do estado. E que ele, Éder, queria assumir uma delas.

Na delação, Silval disse que, depois deste depoimento, o ex-secretário de Fazenda os procurou e pediu R$ 12 milhões para voltar atrás no que havia dito ao Ministério Público.

Segundo o ex-governador, tanto ele quanto Maggi aceitaram pagar para que ele mudasse o depoimento, mas que o valor seria menor, de R$ 6 milhões – R$ 3 milhões para cada um.

Silval Barbosa narrou na delação que a parte de Blairo Maggi foi entregue ao ex-secretário por uma pessoa chamada Gustavo Capilé, ligado ao ministro. Disse ainda que o próprio Blairo confirmou que o pagamento foi feito em dinheiro vivo, entre 2014 e 2015.

O delator confessou também que a sua parte do pagamento também foi entregue a Moraes. O repasse foi feito, segundo Silval, em duas parcelas: a primeira, em dinheiro vivo, teria sido levada pelo então chefe de gabinete dele, Sílvio Cesar Corrêa Araújo.
A segunda parte, de acordo com Barbosa, foi paga mediante a quitação de uma dívida de Eder, de R$ 800 mil.

A defesa de Silval Barbosa não quis comentar o teor da delação.
A defesa de Sílvio Cesar Corrêa Araújo afirmou que ele tinha uma relação muito próxima a Silval e que apenas cumpria ordens.

Nova versão

O ex-secretário de Fazenda do estado, de fato, mudou a versão que contou ao Ministério Público. No primeiro depoimento, em 24 de março de 2014, ele havia dito que em 2009 falou com Silval e Blairo que queria comprar uma vaga no Tribunal de Contas do estado.

“Muito embora não tivessem falado sobre os valores, nas palavras do próprio Eder Moraes, ‘todos naquele ambiente sabiam que as vagas seriam negociadas em valores consideráveis’", diz trecho do termo de declaração daquela data.

Já em janeiro de 2015 – depois dos pagamentos relatados na delação – Eder deu uma entrevista à TV Globo em Mato Grosso e disse que havia mentido no depoimento anterior.

"Eu estava extremamente tomado pela emoção, de não ter sido atendido num pedido de uma escolha para então ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do estado de Mato Grosso, qualificado que eu era pra essa função e que, politicamente, praticamente me nomearam e depois me tiraram essa vaga. Então todo esse contexto fez com que eu ali colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas”, disse na entrevista.

Com agências 



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