Da Redação
Brasília - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, protocolou na sexta-feira ação civil pública na Justiça Federal pedindo o bloqueio dos bens do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e de dez deputados distritais. Ophir fez um apelo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que promova urgentemente o afastamento de Arruda.
O STJ conduz o inquérito instaurado em novembro de 2009 para investigar denúncias de que Arruda seria chefe de um suposto esquema de distribuição de propina à base de deputados aliados na Câmara Legislativa, envolvendo também diversos secretários de seu governo. O relator do inquérito no STJ é o ministro Fernando Gonçalves.
"A OAB faz neste momento um apelo em nome da nação brasileira, em nome da sociedade brasileira, que o STJ, diante da situação que se apresenta caótica aqui no Distrito Federal, afaste o governador para o bem das investigações. As tentativas de influir, de obstruir as investigações, tem sido danosas para o próprio processo de apuração. Portanto, é uma medida acautelatória que a sociedade brasileira espera do STJ o mais rápido possível", disse o presidente da OAB.
Ophir Cavalcante citou a prisão de um suposto emissário do governador, Antônio Bento, com R$ 200 mil para tentar subornar uma testemunha do caso, o radialista Edson Santos, o Sombra. O radialista teria recebido um bilhete do governador pelas mãos de um parlamentar da base, oferecendo vantagens para que ele não deponha.
"O bilhete afronta a sociedade brasileira. Esse bilhete é um acinte a todos nós, ele quer menosprezar nossa inteligência, dizendo que não há qualquer ligação. Portanto, se vier a se confirmar que esse bilhete é de autoria do governador Arruda, a meu ver está feita a ligação sobre a ação do governador no sentido de obstruir a Justiça. E a meu ver seria o documento suficiente, a prova que talvez faltasse, para justificar o afastamento do governador do ponto de vista legal".
O deputado Geraldo Naves (DEM), que entregou o bilhete a Sombra, confirmou na sexta-feira que a mensagem foi escrita por Arruda, mas negou que se tratasse de suborno. Disse que o bilhete era apenas para tranquilizar Sombra, que temia perder publicidade oficial em seu jornal por ser amigo de Durval Barbosa, pivô da crise.
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