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Lula tenta quebrar a resistência do PMDB a Meirelles 11.03.2010

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PMDB acertaram reuniões semanais para negociar a aliança eleitoral em torno da pré-candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Elaborada sob pretexto de resolver impasses regionais entre as duas legendas, a ideia é Lula usar esses encontros para, pouco a pouco, minar a resistência dos peemedebistas ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice na chapa presidencial.

Lula gostaria de ter Meirelles, recém-filiado ao PMDB, na chapa para reforçar a imagem de que não haverá mudanças na política econômica. Mais que isso, o presidente do Banco Central —fiador do atual tripé meta de inflação, câmbio flutuante e superávit fiscal— seria a ponte da campanha com os investidores e daria um recado que propostas heterodoxas do PT não ganharão fôlego caso Dilma seja vitoriosa.

Aliado ao movimento pró-Meirelles há uma desconfiança de Lula com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), hoje apontado como unanimidade entre os peemedebistas para ser vice da pré-candidata petista. Oposicionista durante todo o primeiro mandato do petista, Temer é visto como um político muito próximo do PSDB —leia-se: do governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato dos tucanos à Presidência da República

Mas esse movimento será feito com cautela. Os peemedebistas ameaçam dizendo que se Lula tentar impor um vice, o acordo fará água. Por isso a estratégia é tentar convencê-los aos poucos de que o perfil do banqueiro Meirelles é melhor do que o do promotor Temer, uma alusão às suas carreiras de origem. Significa que Lula e Dilma não terão pressa para resolver quem será o vice. Ambos trabalharão com o prazo para encontrar a "solução" só em junho. "Se a Dilma continuar crescendo, o PMDB perde a capacidade de negociar e eles vão ver que não valem o que imaginam", disse um petista. "E o Lula tem a habilidade de negociar e acabar, no final, impondo o que ele quer", acrescentou.

Elogios

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, elogiou Meirelles como vice, mas ressaltou que a decisão é do PMDB. "Com certeza, é um bom nome. Mas não sei se agregaria mais ou não. É difícil dar um palpite. Quem decide é o PMDB", afirmou o ministro no Rio de Janeiro. O presidente do Banco Central decidiu deixar o cargo na autoridade monetária para buscar seu lugar na eleição. Ele anunciará sua saída dois dias antes do prazo final da desincompatibilização (2 de abril). Na prática, seu último dia à frente da instituição será no próximo dia 22 quando ele entrará de licença.

Bernardo disse que Meirelles descartou disputar ao governo ou ao Senado por Goiás. "Ele não vai concorrer ao governo de Goiás e já me disse que não vai ser candidato ao Senado. Mas pode ser que, eventualmente, ele saia candidato a alguma coisa", afirmou o ministro do Planejamento, acrescentando que a intenção de Lula é mantê-lo no Banco Central até 31 de dezembro. O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também disse que a intenção do presidente é que Meirelles não saia do governo. Uma reunião para decidir o futuro político do neo-peemedebista ainda será marcada, segundo Padilha. Esse não passa do roteiro formal para negar o acerto entre Lula e Meirelles e não azedar as conversas com os peemedebistas.

A reunião de quinta-feira teve a presença de Temer, do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. Os peemedebistas aproveitaram para apresentar suas demandas. O partido cobrou do presidente Lula que não substitua por técnicos os peemedebistas que ocupam ministérios e sairão do governo em abril para se dedicar às eleições. Segundo Jucá, Lula teria assegurado que o partido continuará comandando Agricultura, Defesa, Comunicações, Minas e Energia, Integração Nacional e Saúde. Tudo é jogo pensando de Lula para agradá-los e no final valer sua vontade.

O presidente do Banco Central emitiu nota quinta-feira para informar que não cometeu nenhuma irregularidade e viu com serenidade o pedido do Ministério Público para abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal. O MP indiciou Meirelles por crimes contra a ordem tributária. "O patrimônio formado durante sua vida profissional foi resultado de árduo trabalho, com todos os seus rendimentos e bens declarados aos órgãos competentes, na forma da legislação", consta da nota divulgada.


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